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Áudio Profissional Cotidiano Audiovisual

SISTEMAS DE ÁUDIO Como e porque investir

Blackmagic 2 anos

A sociedade moderna está cada vez mais dependente da tecnologia. Nunca antes na nossa história conhecida, o apelo do “audiovisual”, foi tão grande e tão massivo. Consequentemente os dispositivos de reprodução de áudio ou sistemas de áudio foram se tornando itens absolutamente indispensáveis. Seja para atender uma só pessoa ou algumas centenas de milhares.

Se por um lado os sistemas de áudio passaram a ser itens comuns no nosso cotidiano, trazendo muitas facilidades e benefícios para a comunicação e veiculação das nossas ideias, também trouxe um grande desafio, entender e decidir como investir, e ainda, o porque investir num sistema de áudio.

Esse PORQUE não significa a razão, pois isso já ficou muito claro – precisamos sim de um meio, para compartilhar a música, a palavra, a notícia, para que as pessoas se comuniquem a distância. Esse PORQUE, busca entender as diferenças de tamanho, potência, qualidade, resolução, tecnologia, inovação ou mesmo sua especificidade singular. Nesse ponto, eu me lembro de um trabalho que fiz há alguns anos, fui procurado para gravar um curió! É o pássaro, não uma analogia à um cantor, de fato um passarinho. Para mim aquele convite foi tão inusitado e tão inesperado, como talvez tenha sido pra você agora, ao ler isso. A pessoa que me chamou possui uma “escola de canto” para curiós, ele treina e/ou ensina curiós a cantar. Existe uma procura e um mercado interessante, para esses curiós, que chegam a ter valores impressionantes. Mas o trabalho significava gravar o canto de um curió master, o professor, gravamos vários takes, escolhemos os melhores, mais completos, e na edição vinha o cuidado super especial, pra que nada fosse acrescentado! Um EQ ou uma compressão fora do lugar, seria o suficiente para alterar a percepção dos outros curiós. Uma vez tudo escolhido, colocamos em cartão de memória e aí descobri um mundo completamente desconhecido para mim, essa pessoa tem espalhado pela casa dele vários sistemas de áudio, fabricados especificamente para pássaros! Você não entendeu mal, esses sistemas, porque são completos, com um leitor de mídia, um amplificador e um transdutor (no caso um pequeno falante, que lembra fisicamente, os super tweeter), são usados para reproduzir o canto do curió master, em loop, durante várias horas do dia, inclusive, com timers que disparam a sequencia automaticamente, extremamente interessante. E dessa forma os curiós mais novos vão ouvindo aquele canto e aos poucos passam a reproduzir, como se fossem gravadores, por isso a importância de que a edição não tivesse nenhum corte que pudesse causar um gap/anomalia ou que o sistema de áudio não tivesse a capacidade e a clareza da reprodução na faixa de frequência da audição dos curiós. Para mim aquilo foi uma experiência muito interessante e muito enriquecedora.

Voltando para a nossa realidade, como vamos escolher o nosso sistema de áudio ou sistema de som? Seria pela cor? Pelo tamanho? Pelo preço? Porque é importado? Porque é nacional? 220 ou 110 volts? Analógico ou digital? E assim poderíamos continuar com tantos questionamentos além desses, são muitas dúvidas, muitas possibilidades, algumas incontáveis informações e especificações técnicas, que mais parecem um texto em um idioma desconhecido. Sem dúvida, um projeto de um especialista é o melhor caminho pra resolver toda essa questão de uma forma mais assertiva e totalmente customizada. Mas nós vamos fazer um “brainstorming” aqui, ou como diria um diretor de cinema amigo meu, um “tororó de idéias”, que nos auxiliem nessa árdua, mas nem tanto, tarefa de escolher o nosso sistema de áudio.

É preciso saber com clareza o que precisamos fazer, qual o objetivo a ser atingido, ou público alvo, uma vez bem definida a finalidade do nosso sistema de áudio, precisamos nos preocupar com detalhes do lugar onde ele vai ser instalado, ou se não é fixo, onde vai ser usado e as possíveis dificuldades de locais desconhecidos a cada evento. No caso de uma instalação fixa, as preocupações com acústica são importantíssimas, não que um local que não seja uma instalação fixa, a acústica não seja importante e não deva ser considerada, mas nesse caso não vamos poder fazer intervenções. Mas voltando a nossa instalação fixa, seja um auditório de um teatro, igreja, hotel, centro de convenções, etc, a acústica, um tratamento acústico, pode ajudar não só na eficiência e conforto do seu público, como também que você economize no seu sistema de áudio.

Mas ainda há outras considerações, como onde podemos instalar as caixas de som, se forem penduradas, o teto, ou vigas suportam o peso? Se forem paredes, podemos fixar um suporte, e essa parede vai suportar o peso da caixa e o suporte? E podem até parecer coisas banais, mas temos históricos de tetos desabando por causa de cálculos mal feitos ou não feitos, e excesso de peso na estrutura, paredes que são de gesso ou dry-wall e não são capazes de suportar uma caixa de som e seu suporte, e acabam vindo ao chão caixa, suporte e um pedaço da parede, gerando ainda mais inconvenientes e prejuízos. E por onde vamos passar os cabos?

Passagem de cabos em uma instalação é tão importante quanto onde vamos posicionar as caixas, a mesa de som ou a banda, pois pode dificultar ou mesmo inviabilizar o uso de determinados equipamentos, ou no mínimo inflacionar o orçamento final por aumentar muito a quantidade de cabos em razão das distâncias. Sempre que possível opte por tubulações com folga, maior do que o que você precisa no momento, pois quando você precisar alterar alguma coisa no futuro, você resolve facilmente, sem obras.

E pra fechar por hoje, porque não vamos esgotar o assunto, e podemos voltar nele a medida que você queira mandar uma sugestão ou uma dúvida, é o CARO ou BARATO. Esse pra mim é um dos pontos mais importantes e comumente menosprezado. O que é CARO? Um valor muito alto, que está fora das nossas possibilidades ou das nossas pretensões, sim, verdade, pode ser. Mas eu vejo muito por aí, as pessoas abrindo mão de qualidade ou de projetos muito mais eficientes por causa de uma conta que não é feita corretamente, por favor não me entende e não me leve a mal, existem situações onde o valor é exatamente o limitador e não há o que fazer, mas estou falando daquelas opções onde não é esse o caso, onde se faz a opção pelo mais BARATO, simplesmente na conta do montante do valor. Quando deveríamos levar em conta, pra determinar o CARO e o BARATO, considerando a eficiência e principalmente o tempo de vida útil com qualidade de um produto e outro. Viajei o Brasil inteiro e alguns lugares pelo mundo afora, onde tive a oportunidade de realizar alguns workshops e treinamentos, e um exemplo bem simples mas que ilustra bem esse ponto, é quando eu faço essa comparação com microfones, hoje em dia se compra microfones dessa forma, oq eu também se enquadra aqui nosso texto, “ahhhh mas o microfone dessa marca tal, muito tradicional é muito mais caro que o chinezinho novo que está vendendo de montão agora (nada contra material chinês, pelo menos os de boa qualidade)”, minha pergunta logo na sequencia é: quem tem um mic tradicional há 5 anos, muita gente no auditório, há 10 anos, ainda bastante gente, já cheguei a encontrar num workshop um pessoa que se manifestou com um microfone desta marca tradicional, usando e em perfeito estado aquele microfone, por 28 anos!!!! Quando faço a mesma pergunta destas marcas chinesas ou sei lá de onde, não passa de dois anos, com bastante fé! Então me diga, qual dos dois microfones é CARO? Um que funciona 20 anos ou mais ou o que funciona dois anos? Sendo que a diferença entre eles não é o de 10 microfones, para que justifique você trocar de microfone a cada 2 anos. É preciso fazer essa conta antes de definir um produto como CARO, você vai investir num sistema de áudio que dura 15 ou 20 anos fácil e comprovadamente ou num sistema que você não tem um histórico tão longo, ou que você sabe ele o tempo de vida não é maior do que 5 anos? Ah mas a diferença de preço…. Ele é tão significativa que justifique isso? E precisamos lembrar que nessa comparação, estou usando o fator TEMPO DE VIDA ÚTIL, mas ainda vem fatores como EFICIÊNCIA, QUALIDADE, MANUTENÇÃO, SUPORTE e ESTÉTICA, que também precisam ser acrescentados nessa equação.

Bom pessoal, isso é só um start pra começarmos a pensar juntos sobre isso e outros temas, conto com suas críticas, sugestões, comentários, casos, dúvidas, enfim, manifeste-se, vais ser muito legal conhecer você e até quem sabe, construirmos aqui uma comunidade para uma constante troca de ideias e crescimento.

 

Até mais.

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André Espindola

André Espindola

André Espindola é "auto-didata, aceito e reconhecido, por seu currículo, como membro votante da AES NY, com mais de 30 anos de profissão, transitando ativamente nas áreas de Concerto, Broadcast, Estúdio e Projetos. Já foi diretor técnico da Midas no Brasil, atuando com a Teleponto, diretor técnico do Diante do Trono por 15 anos, os quais viajou por todo o mundo fazendo a mixagem dos concertos, diretor técnico da Igreja Batista da Lagoinha por 17 anos, diretor técnico da Igreja Batista Central de BH por 10 anos. Atualmente, além de diretor técnico da Seegma Pro Audio, é responsável técnico pela Igreja da Cidade em São José dos Campos, proprietário do AC4 Creation Studio, projetista, consultor e coaching na área de áudio e vídeo para igrejas outros mercados"
Créditos artísticos: Diante do Trono, André Valadão, Nívea Soares, Ludmila Ferber, Fred Arrais, Asaph Borba, Pe Fabio de Melo, Don & Juan, Fred & Paulinho, Calix, Alcione, Vander Lee, Michael W Smith, CFNI, Powercouple Brasil, Are You The One Brasil, Are You The One LATAM, Lollapalooza, Tomorrowland, entre outros tantos.

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